Trabalho infantil: redução nos últimos anos foi insignificante


A pobreza é considerada a principal condição para a existência do trabalho infantil. No Brasil, mesmo com os significativos avanços sociais, decorrentes do aumento da renda, do acesso ao mercado formal de trabalho e da estabilidade econômica, a redução dessa exploração foi praticamente insignificante. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam uma taxa de redução de apenas 0,4%, entre os anos 2001 e 2009.


Os dados foram apresentados durante o seminário “A sociedade em rede pelo combate ao trabalho infantil”, organizado pela Fundação Telefônica, no dia 11 de abril, em São Paulo (SP). O evento reuniu organizações, estudiosos e jornalistas para discutir os desafios a serem enfrentados na redução das taxas de trabalho infantil do país.


De acordo com a socióloga Graça Gadelha, especialista em infância e adolescência, as ações para impedir a prática poderiam ser mais eficazes se as informações existentes fossem sistematizadas. Segundo ela, esta sistematização poderia ajudar a qualificar os profissionais que atuam na garantia de direitos da criança e do adolescente.


Outro problema, identifica Graça, é que as medidas atuais consideram somente as formas mais tradicionais de exploração, como é o caso das atividades rurais ou artesanais. “O trabalho doméstico, a inserção no tráfico de drogas e a exploração sexual são novas realidades da infância e carecem de políticas específicas”, defende.


Causas



Situações de miséria, fragilidade das estruturas familiares e questões locais estão entre as causas que facilitam a exploração infantil. Outro aspecto, não menos relevante, refere-se ao fato de que o trabalho ainda é um elemento extremamente valorizado quando o assunto é inserção social. “Ele é tido como algo edificante e caracteriza um ideal em muitas famílias brasileiras”, afirma Maurício Cunha, sociólogo, representante da ONG Visão Mundial.


Diferentemente da forma tradicional de trabalho infantil, onde o ofício é transmitido do avô para o pai, e deste para o filho, hoje é comum que muitas crianças comecem a trabalhar por pressão familiar, para ajudar nas despesas de casa, ou para adquirir uma profissão.


Por outro lado, constata a diretora da Fundação Telefônica, Gabriella Biguettti, muitas crianças começam a trabalhar porque encontram uma possibilidade de consumir aquilo que seus pais não podem lhes dar. Nestes casos, o paradigma da inclusão via consumo acaba levando a uma prática econômica que, de acordo com ela, oferece riscos para a formação social desses sujeitos.


“Essas crianças sentem-se excluídas pela impossibilidade de ter algo que outras crianças possuem. Acabam submetendo-se ao trabalho pois veem nele a única forma de participar de uma realidade social onde o consumo é condição para a cidadania”, conclui.


A animação “Vida maria” retrata como se dá o ciclo da exploração infantil do trabalho dentro da família. Confira.

 


 



 

Fonte: Aprendiz - (25/04/2012)

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