Uso do dicionário no início da escolaridade


Em meio a tantas inovações tecnológicas nas quais o imediatismo se mostra como a principal evidência, como ficam as buscas? Com o computador, quase que instantaneamente as respostas surgem aos olhos de quem anseia pelo pronto atendimento. Ora, como é simples, em apenas um clique eis a resposta, ali, pronta.

Em meio a essa realidade circunstancial, torna-se relevante questionarmo-nos a forma como tem sido usado o bom e velhodicionário no ambiente de sala de aula. Essa importante ferramenta se encontra à disposição dos educandos, uma vez que é sempre requisitada na lista de material dos pequenos, mas... Pobre instrumento! Tão pouco utilizado, ainda que faça parte da “bagagem rotineira” (visto que as aulas de Língua Portuguesa são ministradas cinco vezes por semana). Será que ele, ao menos um dia, foi retirado da mochila, ou será que já está com as bordas amassadas, tamanho é o atrito com os demais livros, cuja recorrência de uso é pontual?

Abordamos, assim, a importância do uso do dicionário desde as mais tenras aprendizagens, pois se trata de um importante instrumento que deverá acompanhar os educandos jornada afora, não somente nas aulas de Língua Portuguesa, mas também nas demais disciplinas. Aparentemente o que o aluno espera mediante a busca por uma palavra é somente se familiarizar com os aspectos relacionados à sua semântica. No entanto, se formos analisar, sobretudo no que tange ao ensino da língua materna, os benefícios vão além dessa mera concepção, sem dúvida.

Um desses benefícios é o aprimoramento do vocabulário, tão necessário ao repertório, pois ao estabelecerem familiaridade com uma dada palavra, os educandos conferem questões ortográficas, semânticas, morfológicas, estilísticas (que é o caso da linguagem figurada), entre outras. Nesse sentido, ao usufruir do dicionário como recurso metodológico, algumas medidas podem ser perfeitamente utilizáveis, tais como:

* Num primeiro momento, o educador pode solicitar que sejam formadas duplas. Depois de tudo organizado, uma boa sugestão é solicitar que se manifestem dizendo uma palavra da qual desejem conhecer o significado. Assim, após elencadas, todas serão desvendadas.

* Para tanto, um dos propósitos mediados pelo educador se manifesta na percepção, por parte dos alunos, de que todos os verbetes se encontram demarcados em ordem alfabética, e que as letras do alfabeto, normalmente, aparecem dispostas nas bordas das páginas do material enciclopédico (dicionário). Assim, torna-se mais fácil a procura.

* Tendo em vista que cada dupla se tornou incumbida de procurar uma palavra, essa, uma vez encontrada, pode se tornar passível de discussão entre os membros de cada dupla, com a proposta de elencar argumentos relativos à percepção então manifestada.

* Terminadas as buscas, eis que se evidencia a importância dos grupos se manifestarem, revelando as características inerentes a cada vocábulo por eles eleito. Essas manifestações aprimorarão ainda mais o conhecimento de que tanto necessitam para o enriquecer da competência linguística.

De posse desse inestimável recurso metodológico, o educador terá a oportunidade de obter êxito naquele que se manifesta como um dos mais importantes propósitos inerentes a todo professor de Língua Portuguesa: despertar nos educandos o incentivo pela leitura. Mas por meio de que procedimentos?

Ora, instigando-os a realizar leituras, não importando o gênero, haja vista que os gostos poderão se manifestar desde uma simples história em quadrinhos até a leitura de uma notícia, enfim. Dessa forma, no momento em que os alunos estiverem lendo, tudo aquilo que for novidade, no tocante ao significado, deverá ser anotado e levado para a sala de aula, para uma nova consulta ao dicionário. Sem falar nos benefícios retratados pela troca de informações acerca das descobertas feitas mediante a leitura – o que pode se tornar um incentivo para novas descobertas.

 

Fonte: por Vânia Duarte | Canal do Educador - R7 (24/03/2012)

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